Paulo Afonso de Barros
preciosos segundos de paz...
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Ódio em gigabytes e com backup...
A cultura do ódio, tal como células malignas a se espalhar em metástases, merece ainda profundos e sérios estudos das ciências, sabendo-se que, dentre outras razões, pode ser explicada em boa parte pela irracionalidade e maldade próprias de seres humanos limitados em seus saberes sobre si mesmos e da história da humanidade.

Pessoas que odeiam ao ponto de querer que o outro morra e sofra intensamente, por quaisquer motivos que o forem, normalmente não percebem que encontram e alimentam em si mesmas um ciclo de ódio em sua baixa autoestima, soberba, frustração e a imperiosa necessidade de culpar alguém por todas suas impossibilidades.

Quem odeia incondicionalmente provavelmente experimentou muita falta de afeto, carinho, compreensão e amor não sendo, contudo, essa uma regra.

Pessoas que odeiam precisam justificar seus ressentimentos colocando no outro a razão para suas atitudes destrutivas inexplicáveis e inaceitáveis, bradando silenciosamente: - Eu não tenho culpa por te odiar, ela, a culpa, é toda sua.

Repugna a simples possibilidade de se detestar alguém por atitudes, costumes, orientações religiosas ou sexuais, cor da pele, preferências políticas ou esportivas.

No campo das ideias as divergências podem tomar dimensões diametrais, mesmo assim só aceitáveis se, e somente se, com urbanidade.

O tempo dos duelos ficou para trás, lavar a suposta honra com sangue jaz nos registros históricos para que não nos esqueçamos do que já fomos capazes e ainda somos, mas com o discernimento necessário de que precisamos combater excessos acreditando que a regra é a aceitação do outro com suas diferenças, a exceção é tudo aquilo que não é certo.

Preto ou branco e certezas abissais não nos cabem mais, há milhares de sutilezas num único indivíduo, por isso somos unos, diferentes, inigualáveis, nossas digitais acompanham nosso todo.

Nesse tempo de tantas mídias as mentiras e falsidades arrasam quase que irremediavelmente reputações e vidas em segundos, o ódio pega carona e pessoas se esganam em gigabaytes e com backup.
Paulo Afonso de Barros
Enviado por Paulo Afonso de Barros em 03/02/2017
Alterado em 03/02/2017
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